E eu que pensava que o inferno astral tava passando… Quanta inocencia. Esqueço que quando Murphy cisma com alguém, nao tem galinha preta na encruzilhada que tire esse encosto.
Fui à minha futura casa falar com os donos, pra apresentar meu cachorro pra eles. A dona da casa disse que jah tinha falado com o marido, mas ele nao queria cachorro porque senao pegava afeiçao e depois ia ficar triste quando ele fosse embora. Pra piorar as coisas, a garota que estah no quarto que vai ser meu nao sabe quando termina a universidade – provavelmente lah pra metade de junho – e o quarto onde eu ficaria do começo de junho até a partida da universitaria jah estah ocupado. Mas tudo bem.
Voltando pra casa aos prantos, cruzo com os pais do lanterneiro, que estavam indo almoçar na casa da mae da Arianna. Paramos no meio da rua pra conversar, eles me acalmando, o Legolas pode ficar com eles até o apartamento de Bastia liberar (se bem que eu jah to achando que vai acabar acontecendo alguma coisa, tipo um cometa cair em cima do prédio, uma colméia gigante de vespas assassinas se alojar atras da geladeira do apartamento, ou alguma coisa do genero). Mas porra, eu quero me libertar e nao consigo! NAO CONSIGO! Eu, que contava em me mudar no proximo fim de semana, vou ter que passar pelo menos duas semanas a mais usando a bicicleta DELE pra ir trabalhar, o computador DELE pra me conectar, a televisao DELE pra me ajudar a dormir. Por que tenho que ficar sempre ligada ao Mirco, como se ele fosse um polipo pediculado no meu intestino, um polipo ligado às minhas entranhas por um pedunculo que, vascularizado demais, nao consigo cortar?
Soh nao pego minhas malas, meu cachorro, meus livrinhos e minha Nutella e volto pro Rio porque agora é questao de honra me dar bem por aqui. Vou ficar aturando a vida no escritorio aqui, pegar experiencia, trair meu chefe e me mandar pra bem longe – provavelmente Roma. Temos contatos com gente em Roma e Milao, e como nao é incomum empresas roubarem funcionarios umas das outras (nos mesmos temos um representente comercial roubado de um concorrente nosso), vou ficar é torcendo pra alguém querer me roubar. “Disponibile per trasferimento” vai ser meu lema.
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Pela primeira vez na vida fiz uma coisa devagar: voltei pra casa sem ter coragem de passar na casa da Arianna pra visitar o Leguinho, pedalando à velocidade de um aposentado, me esvaindo de chorar. Quando vi, jah estava em casa, atendendo ao telefonema do Mirco: nao se preocupe, nao tem problema, pra que essa pressa em se mudar? COMO, POR QUE ESSA PRESSA EM ME MUDAR? Maldito polipo de uma figa!
No momento é inevitavel odiar tudo, e todos.
Ou a FeRnanda e o Fabio me levam hoje pra visitar cantinas famosas aqui da zona (hoje é dia de turismo do vinho, dica da Criss – nada de link, nao estou no clima), ou vou sozinha ao cinema ver Matrix Reloaded que todo mundo jah viu menos eu.
E a faxina programada pra hoje que vah pra ponte que partiu.