Mirco liga de Cuba. Tah achando tudo uma merda, horroroso, velho, feio. Tah pau da vida porque foi comprar pao e nao venderam pra ele porque ele nao tinha o tal do ticket. Tah de saco cheio do calor infernal. E pensar que ele saiu daqui todo empolgado, como todo europeu que nao tem nada melhor pra fazer e vai passear na américa latrina – Cuba, musica latina, calorzinho, praias, bundas… Aquela velha historia da grama do vizinho ser mais verde do que a sua, sabe comé?
Tem lugares pra onde eu soh iria se me pagassem muito bem pra isso, e Cuba é um deles. Eu quero mais é muita Roma, muita Europa, muita Australia e Nova Zelandia, muito conforto, ar condicionado, agua geladinha, transportes que funcionam, paises com historias interessantes, museus lindos, arquitetura deslumbrante, gente mais ou menos bonitinha (nao necessariamente tudo isso junto. Lembremos que o paraiso nao existe – e, cah pra nos, se existisse seria MUITO chato). E, muito importante, nada, NADA de Espanhol. Nada que me remeta a coisas tipo Maria do Bairro. Nada de esses pronunciados com a linguinha de fora.
Na boa, eu jah venho dizendo isso hah séculos mas fiquei quieta quando o Mirco me comunicou que tava indo pra Cuba: se eu quisesse morrer de calor e ver gente pobre e feia rebolando ao som de musica chata e comendo feijao, ficava dando voltas nos suburbios do Rio em pleno Carnaval. Vou sair do conforto do meu lar pra fazer “escrotour”, como diz o meu pai? Eu, hein.
Tem vezes que a sua grama é mais verde do que a do vizinho, sim senhora. Deixa esses italianos dez dias sem pao pra ver se eles nao voltam concordando comigo.