Quem andou botando minhoca na sua cabeça, menina?
Hoje de manha, voltando da oficina onde fui visitar o coitado do Legolas que tava lah sozinho, atropelei sem querer algumas minhocas que insistem em atravessar a estrada. Deve ser época de reproduçao de minhocas, a Umbria estah cheia delas, pequenas, grandes, cor-de-rosa, cor de vinho, todas nojentas. Nojentas, mas sem duvida felizes. Nada de dramas existenciais, historias de amor complicadas e consequentes tragédias cardiacas, nada de duvidas, de complicaçoes, de paradoxos, de insegurança. Claro que nos nos divertimos muito mais que as minhocas. Mas tem vezes em que eu morro de vontade de virar uma pererequinha daquelas bem venenosas, coloridérrimas. Assim tao obviamente toxica que ninguém se daria ao trabalho nem de me comer (ops), e eu nao precisaria nem me preocupar com predadores. Minha vida seria encontrar coisas nojentas pra comer, e catar um perereco igualmente toxico e colorido, fazer ovinhos, deixar os ovinhos em uma pocinha qualquer e voltar às minhas refeiçoes nojentas, despreocupada, relax.
Porque como jah dizia a mae do Manuel, na voz do Ed Motta: o mundo é fabuloso, o ser humano é que nao é legal.
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Fui ao almoço de Pascoa na casa da Martinha, aquela do escritorio. A familia dela tah construindo uma casa em Ripa, aqui perto, junto com a familia do tio. Tava todo mundo lah, uma bagunça danada, todo mundo sacaneando o sutia com enchimento da Marta, o corte de cabelo da irma dela, o daltonismo do tio dela, o bigode do pai dela, contando historias engraçadissimas, os avos rindo e falando besteira, comida boa (lasanha branca com carne moida e ervilhas, tagliatelle com molho de tomate e aspargos, costeleta de carneiro, quadradinhos de laranja que eu levei, colomba pasquale, ovo de pascoa, vinho siciliano, soh dois fumantes na mesa), muitas risadas, eu e Marta estavamos lindas (Marta de terninho branco e scarpins altissimos, eu de saia midi, meia-calça, minhas botas leeeendas da Fernanda Chies, blusinha preta, uma maquiagem suave que eu inventei hoje de manha, minha bolsa Prada fake, minha jaqueta de couro da Animale que faz o maior su (cesso) onde quer que eu vah), tudo otimo. Pena que minha garganta tah doendo, e reconheço outros sintomas gripais também. Recarreguei as energias, Martinha me deixou em casa, tava chovendo senao eu ia visitar o Leguinho de novo, engatei na traduçao, fiz logo uma porrada de artigos, estou aqui fungando e com fome de novo, pensando em requentar o risotto de abobrinha de ontem e tomar um paracetamol basico antes de sair pra dançar. Porque eu vou sair pra dançar, darlings.
Nao lembro quem falou, mas é a maior verdade: se quer saber se uma coisa ou pessoa lhe pertence, deixe-a ir embora. Se for sua, voltarah pra voce um dia.
Espero.