Eu devo ter picado muita salsinha na tábua dos dez mandamentos mesmo. Não só a nossa mais nova vizinha de porta tem a maior cara de piranha latina como agora há pouco, quando entrei em casa, ouvi Adriana Calcanhoto saindo da casa dela! Socorro! Claro que não conheço a mulher, mas além de ter uma aparência SUPER vulgar e de provavelmente ser brasileira caça-gringo, ela ainda tem mau gosto musical! A prova final vai ser descobrir o nome. Assim que eles colocarem o adesivinho com o nome lá embaixo, no escaninho*, eu aviso. Valdiclélia Terezinha? Grace Kelly de Jesus? Mychelly Ferreira? Jakellyne Silva? Façam suas apostas.

Acho que é hora de aproveitar as minhas olheiras árabes e o cabelo ruim e fingir que sou síria, em vez de só bisneta de sírio.

*Aqui não só não tem porteiro (aliás, nem portaria) como também não há numeração nos apartamentos. Quem vier à sua casa vai chegar lá na porta do prédio, procurar o seu sobrenome no interfone, interfonar pra sua casa e você vai dizer em que andar está. Os escaninhos e as campainhas têm mais espaço pro adesivinho, e cabem nome e sobrenome.

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Liguei pro aeroporto de Pisa hoje e me asseguraram que a greve programada pra amanhã já foi furada antecipadamente e não vai rolar. Partimos normalmente pra Amsterdam por volta das duas da tarde, e voltamos no domingo, partindo de Bruxellas, em torno das sete da noite. Finalmente vou conhecer o namorado gigante da Stefania :)

Ci vediamo fra un paio di giorni, darlings.

Ah, e pra quem tá

Ah, e pra quem tá estranhando que eu ainda não respondi aos e-mails: eu uso o programa The Bat!, muito legal e tal, só que anda me dando um problema estranho que não consigo resolver. Quanto tento enviar uma mensagem, o progama muito gentilmente me diz: Server reports error. The response is: mail not accepted from blacklisted IP address. Eu juro que não mudei nada, não toquei na configuração: esse erro maluco veio de um dia pro outro.

Não vou me render e voltar ao libero, até porque já apaguei tudo de lá e não tô com o menor saco de desorganizar minha vida e-mailzidica novamente. Tô tentando fuxicar no The Bat! pra ver se descubro qual é o pobrema. Enquanto isso, visto a minha imbecilidade internetal, aceito ajuda de quem entender mais do assunto do que eu. E enquanto essa ajuda não chegar, os e-mails vão ficar sem resposta.

Ah, a viagem ao Rio

Ah, a viagem ao Rio em abril não vai rolar. Culpa da burocracia. Nem vou contar os detalhes. Já estou suficientemente irritada, e tocar nesse assunto de novo vai me dar vontade de sair batendo em pessoas na rua. Não bom.

Na última sexta-feira, às quatro

Na última sexta-feira, às quatro da manhã, dois rapazes perderam a vida num acidente gravíssimo a 300 metros daqui de casa, na curva sem-vergonha antes do retão onde eu moro. Um deles, o mais novo, voltava de uma noitada na discoteca, provavelmente o Country, no centro de Bastia, que às quintas-feiras promove um chatíssimo festival de música latino-americana (*vômitos incontroláveis*). Não sei se estava bêbado ou pelo menos “alegrinho”, mas estava em alta velocidade. Acabou saindo da pista e batendo de frente no carro do outro rapaz, três anos mais velho, que estava indo trabalhar – fazia o primeiro turno na fundição de Santa Maria degli Angeli, aquela em frente à casa dos pais do Mirco.

Ainda bem que o da discoteca morreu também, porque senão o pai do outro o teria matado, com certeza. E eu teria achado ótimo. Poucas coisas me deixam mais irritada do que gente que fode com a vida dos outros e sai ileso.

Repararam que eu mudei de

Repararam que eu mudei de e-mail? O webmail do libero não tava mais dando conta.

(não preciso dizer que basta tirar o hohoho! anti-spam que eu botei ali no endereço pra ter o e-mail certo. Dica da Newlands, porque esse não é o tipo de idéia simples e brilhante que me vem espontaneamente à cabeça.)

E agradeço ao Duduzão por ter me ajudado na escolha de um programa de e-mail, senão o email do interludio não serviria pra nada.

E agora dêem-me licença que a FeRnanda voltou do Brasil, casada e de cabelo curto, e daqui a pouco vamos à casa dela ver as fotos e tomar um vinho básico!

Tenho verdadeiro horror a poesia.

Tenho verdadeiro horror a poesia. E a MPB.

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Eu tenho os melhores leitores do mundo. Além de educados, cultos, inteligentes, engraçados, bons de Português e de garfo e amantes de cachorro, ainda me mandam presentes! Ontem chegou a caixinha da Manoela, Brasileira Legal Pacas que Mora na Alemanha e Nãaaaao Se Acha AAAA Alemã, contendo 1 Brave New World de Aldous Huxley, 1 par de meias coloridas estilo luvas para pés, 1 Bilbo de plástico originário de um ovo Kinder, sentadinho lendo um livro, e 1 carta de-li-ci-o-sa. Não é o máximo? :)

Realmente não me imagino fazendo nada profissionalmente, no futuro, além de ler, escrever e traduzir. Imaginar-me num hospital, ou, pior, num escritório, é o horror, o horror.

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E o tempo virou de novo. A névoa de ontem parece que gostou da Umbria, e não vai mais embora. Tá um frio do cacete – frio úmido, que dói.

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Depois de um momento de auto-irritação* ontem à noite, comi chocolate e biscoito, e hoje estou com dor de barriga. Ontem enviei currículos a escolas de línguas e escritórios de tradução aqui da área. Também faxei currículos a dois hotéis de Assis. Daqui a meia hora ligo pra saber se receberam. Fabrizio o Louco precisa de ajuda pra limpar a loja semana que vem, antes de reabrir no final do mês. Hoje tenho mil faturas chatas da oficina pra inserir no computador e um CD de música latina (AAAAAAAAAAAAAAAAH SOCORROOOOOO) pra queimar pra Garota da Calça Dourada, que aliás virou titia semana passada. Amanhã de manhã vou à Questura pegar meu permesso di soggiorno alterado com o novo endereço e o novo número de passaporte. Também tenho que fazer algumas perguntas burocráticas sobre o permesso antes de comprar minha passagem pro Rio. Tenho cartas pra botar no correio e um casaco pra buscar na lavanderia, mas hoje estou sem carro. Tô sem saco.

*Fui levar o carro na oficina, pra ajeitar o lance do embaçamento, que é causado por um vazamento de líquido do radiador pra dentro do ventilador, ou seja, o ventilador-aquecedor sopra vapor oleoso no pára-brisas, que assim fica sempre sujo. Lindo. Então; ontem passei o dia na rua com o Mirco, resolvendo coisas. Lá pras seis passamos em casa, peguei o meu carro e fomos pra fisioterapia do joelho dele. De lá partimos direto pra oficina. Só que o trânsito tava horrível; o Mirco saiu logo da vaga e foi indo na frente, mas meu carro tava mais longe, e quando liguei a seta pra sair começou a vir um rio de carros que, dirigidos por motoristas italianos, não me deixavam passar de jeito nenhum. Quando finalmente consegui sair, o Mirco já tava na oficina. Muito bem, sem problemas, a não ser o fato de que só fui a essa oficina sozinha uma vez, e obviamente de dia, e com os vidros não embaçados, e sem neblina pesada. Eu não via NADA, não sabia onde virar, os faróis dos carros em sentido contrario refletiam contra o embaçamento e me cegavam (sou fotofóbica), gente atrás de mim piscando o farol porque eu andava a 20 por hora, eu botando a cabeça pra fora do carro pra ver se via alguma coisa, mas não via nada por causa da neblina. Saí do centro da cidade e me vi na saída pra auto-estrada, na Zona Industriale, àquele momento sem movimento nenhum. Leia-se sem luz nenhuma. Sabe o que é dirigir no escuro total, fazendo um percurso com o qual você não tem nenhuma intimidade? Então. Comecei a gritar de ódio dentro do carro, PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUU QUE MERDA DE VIDAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE SENSO DE DIREÇÃO DE MERDA QUE EU TENHOOOOOOOOOOOOO BURRA NÃO SABE NEM ONDE FICA A BOSTA DA OFICINAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAARGH!!!

Cheguei na oficina, depois de muita labuta e muitos gritos, num estado de irritação tão intenso que deveria ter sido estudado pela ciência. Odeio a impotência, odeio me sentir burra, odeio não saber o que fazer. Então abri o pacote de chocolatinhos alemães que tinha comprado no supermercado de pobre onde o Mirco compra luvas de borracha vagabundas pro trabalho, e comi tudo. Hoje estou morrendo de dor de barriga.

Mas vou fazer macarrão com salmão e abobrinha pro almoço, aaaah vou. Sem queijo ralado, é claro. Peixe e queijo ralado não combinam.