Pesquisando o interessantissimo mundo dos cartuchos reciclados pra impressoras em Portugal, descubro uma cidade chamada Rebordosa. Tudo bem, aqui perto tem uma chamada Bastardo.
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Nunca me senti tao sozinha
Nunca me senti tao sozinha quanto hoje de manha, deixando minha mae no aeroporto e voltando pra casa sozinha de carro, chorando rios, eu e o Legolas.
Passo na Arianna pra almoçar. Liga o Mirco: o voo de Cuba atrasou e eles perderam a conexao de Madrid. Soh tem outro voo às deis da tarde, mas que os deixa em Milao, em vez de Roma, que é mais perto. Capaz deles voltarem soh amanha mermo.
Chego no escritorio pra dar aula pro chefe idiota, e ele estah ocupado com um cliente e nao pode ter aula. Estou sozinha aqui, Marta soh chega às 3.
Eita diazinho…
E vamos ao risoto, que
E vamos ao risoto, que saiu espetacular, modéstia à parte.
Primeiro o caldo vegetal, porque risoto nao se faz com agua, mas com caldo: fervi uma cenoura média, uma cebola média, um pedaço de aipo, meio dente de alho, um raminho de alecrim, e meio tomate que eu salvei do mofo. Numa outra panela refoguei uns pedacinhos beeeem pequenininhos de peito de frango, assim quase carne moida, em cebola dourada no azeite. Na verdade nem precisava do frango, mas é que eu sou carnivora e gosto do saborzinho da carne em tudo que eu como. Quando o bichinho pegou uma corzinha basica, juntei duas abobrinhas cortadas em cubinhos e deixei cozinhar um pouco – UM POUCO, nada de abobrinha molenga, olha lah, hein!
Na panelona T-Fal de cabo nova refoguei cebola no azeite (o ideal é usar o scalogno, um tipo de cebola mais delicado, mas nao tem tu, vai tu mermo, ataquei de cebola comum), botei o arroz*, deixei fritar um bocadinho, joguei meio copo de vinho branco tabajara, deixei evaporar, e fui adicionando o caldo vegetal aos poucos, mexendo sempre. Haja braço pra fazer risoto, é um saco. Mas enfim: mais ou menos na metade do cozimento do arroz, joguei umas folhinhas de radicchio cortadas em pedacinhos. O risoto ficou meio lilas por causa do radicchio, uma coisa foférrima :) Quando vi que o arroz tava querendo ficar cozido, juntei as abobrinhas com os microfranguinhos. Quando o arroz fica al dente (se nao gostar de al dente e quiser mais cozido, é soh cozinhar mais, oras!), bota-se um pedacinho de manteiga, um pouco de parmesao, mexe-se bem e deixa-se repousar, tampado. No nosso caso o repouso do risoto durou uns 2 segundos, porque estavamos morrendo de fome. Mais parmesao em cima, e pronto! Mas um parmesao decente, né, crianças, nada daquelas coisas pré-raladas cheias de casca de outros queijos nojentos.
* Na verdade usamos uma mistura de tres cereais que vimos nos supermercado outro dia e resolvemos experimentar: é arroz arborio, cevada e trigo. Bonzao.
Batemos dois pratoes cada uma. Nem precisamos comer o peito de frango recheado com linguiça e alecrim assado em caminha de cebola que mamae fez ontem.
***
Amanha é dia de gastronomia toscana: vamos a Firenze e quero fazer mamae experimentar a ribollita. Vou ver se acho uma receita decente pra voces, a bichinha é boa demais. E olha que eu nao sou fa de verduras e legumes.
buonasera!
Aih eu entro no banco
Aih eu entro no banco depois do almoço e vejo todos os velhinhos da fila se entreolhando, sacudindo a cabeça e rindo. Olho pro unico caixa aberto (se chama Claudio, e é um mal-humorado cronico mas muito engraçado) e vejo a seguinte figura debruçada sobre o balcao: alta, cabelos de raiz escura e ponta amarelo-blondor trançados e em maria-chiquinhas, top com a barriga de fora (hoje tah frio pra cacete), calça jeans justa e super saint-tropez quase caindo pernas abaixo porque a criatura tinha menos bunda do que eu, meias pretas e TAMANCOS DOURADOS DE TIRAS E SALTAO. O top era super decotado, e de dentro dele pululavam dois peitos que, notava-se, nao tinham sido sempre assim, digamos, enormes. E entao a criatura começa a falar. E entao percebe-se que nao era umA criaturA, mas um criaturO. Um super hiper mega traveco, de voz grossa, traços masculinos no rosto, pezao estilo lancha, maozonas, pomo de Adao, e peitos. Fumava, e falava MUITO alto (alias, coisa que me irrita deveras). Se despediu com um “Ciao, Claudio, ti saluto!” gritado em um vozerao de William Boner, e saiu. Saiu tao intespestivamente que os oculos de sol estilo abelhao cairam e ficaram pra tras. O velhinho de 90 anos que tava parado na fila em frente à porta saiu do banco pra devolver os oculos. Quando voltou, TODO mundo na fila dando risada, perguntando se o velho tinha gostado “dela”. Esses italianos sao otimos, tudo é motivo pra conversar e dar risada :)
O melhor foi a primeira velha da fila, toda inocente, que foi perguntar ao Claudio se a figura era homem ou mulher. Resposta do Claudio:
– Se chama Roberto.
A velha quase infartou. Virou pro pessoal da fila e falou:
– Mas era homem!
O pessoal rachando de rir, e ela indignada:
– Mas como é que voces sabiam? Eu nao reconheço essas coisas nao! Esse mundo de hoje…
Moral da historia: o suspiro de alivio que eu dei ao saber que o Roberto nao é brasileiro, mas ali de Bettona mermo, foi tao profundo que deve ter baixado as reservas de oxigenio do banco. Mais uma compatriota assim estranha eu nao ia aguentar nao.
Arezzo é linda, mas Siena
Arezzo é linda, mas Siena é mais ainda. Siena é um desbunde. A Piazza del Campo é um desbunde. O Duomo listradinho é um super desbunde. Mamae adorou, Legolas idem. E nem nos perdemos na estrada pra voltar, hohoho.
Hoje nao fizemos nada. Nao estah no plural por acaso: realmente nao fiz nada, o escritorio hoje tava num mormaço danado, e nao soh porque morreu a avoh da Antonietta, a “garota do almoxarifado”. A coisa tava lenta mermo. Minha mae é que se divertiu: foi a pé de casa até o centro de Bastia (45 minutos andando com pé se recuperando de fratura), fez mil amizades, pagaram cafezinho pra ela, emprestaram o celular, ela me ligou pra dizer que me esperava em frente à barraquinha de porchetta di Costano (Costano é a cidade oficial da porchetta), quando cheguei ela tava parada sozinha na praça rodeada de sacolas por todos os lados. Me dei bem nessa historia toda: ganhei uma panelona de T-Fal com cabo! Aqui na Italia eles sao meio portugueses, como jah devo ter comentado antes, e as panelas quase todas tem cabo curto, que inevitavelmente queima a tua mao se voce esquecer o pegador de panela (aquele de matelasse que a sua avoh provavelmente sabe fazer). Eles também sao avessos a tudo que é tecnologicamente revolucionario, tipo microondas, T-Fal, etc. Tem (circunflexo) medo. Eu juro que jah ouvir neguinho aqui dizer que nao usa microondas porque ainda nao se sabe se faz mal à saude. Na boa, eu nao to nem aih se o microondas faz mal, se o T-Fal da panela faz mal, se o tomate transgenico faz mal. Dentro de certos limites, se uma coisa torna a minha vida mais pratica, eu to topando. Até porque viver mais mas pior nao me parece tao agradavel – nem muito inteligente.
To fazendo um risoto de
To fazendo um risoto de radicchio e abobrinha pro jantar. Se ficar bom dou a receita.
Mesmo sabendo que tenho poucos
Mesmo sabendo que tenho poucos leitores, de vez em quando vou dar uma olhada nas estatisticas. Eh sempre de rolar de rir. Entraram aqui pessoas procurando:
– a importancia da quimica na cenoura
– pessoas feias nas barcas
– peixe cientifico dentao
– slogan de batata frita
– foda portuguese
Fiquei curiosa com a cenoura. Qual serah a importancia da quimica na cenoura, hein…?
Hoje rolou Arezzo. E nos
Hoje rolou Arezzo. E nos perdemos na estrada. Perdemos uma hora e meia tentando chegar na superstrada. Desistimos e viemos pela estrada lerda mermo. Essas placas estradais italianas, vou te contar…
E amanha nao sei. To cansada e tenho coisas pra traduzir. Depois de amanha talvez vamos a Siena, mamae tah doida pra ver Siena. Eu jah vi, duas vezes, e recomendo. Com certeza a piazza mais linda da Italia… :)
p.s.: Marcinha, a revista chegou, sexta-feira. Ainda nao tive tempo de ler, mas mamae adorou todas as duas.
On a lighter note, mamae
On a lighter note, mamae hoje fez uma carne assada show. Tudo bem que era vitela – nao me levem a mal, mas eu nao aguento mais vitela, aquela carne paaaalida, aneeeemica, sem gooosto – mas a bichinha ficou boa mermo.
Aih de tarde, depois da ronda dos bancos (jah comentei aqui que virei office-boy da oficina do Mirco?), fomos a Bevagna, città d’arte aqui perto de Foligno. Microscopica, mas bonitinha, e tao tranquila! Aih voce ve aqueles velhos de boina sentados em frente ao bar, discutindo a morte da bezerra, e entende como eles fazem pra viver eternamente. Porque os italianos sao imortais, sabe, todos matusaléns. Até eu, se tivesse nascido e vivido em Bevagna a vida toda, viveria pra sempre, naquela calma, naquela tranquilidade, naquele… tédio. Voce entende também por que nao tem jovem na cidade. Nao tem bissolutamente nada pra fazer. Mas é um charme, um charme total e absoluto. E nao vimos nenhuma loja vendendo souvenirs explorando Sao Francisco! Nada de pratos horrorosos de ceramica de Deruta! No maximo uns cartoes-postais, que eu nao comprei e me arrependi. Como minhas fotos ficam sempre feias, compro cartao-postal de tudo que é lugar aonde eu vou. Dessa vez dei mole.
Amanha ainda nao sei aonde vamos. To muito tentada em ir a Montefalco, ver se eu descolo um Sagrantino assim com um descontinho basico…
Mirco liga de Cuba. Tah
Mirco liga de Cuba. Tah achando tudo uma merda, horroroso, velho, feio. Tah pau da vida porque foi comprar pao e nao venderam pra ele porque ele nao tinha o tal do ticket. Tah de saco cheio do calor infernal. E pensar que ele saiu daqui todo empolgado, como todo europeu que nao tem nada melhor pra fazer e vai passear na américa latrina – Cuba, musica latina, calorzinho, praias, bundas… Aquela velha historia da grama do vizinho ser mais verde do que a sua, sabe comé?
Tem lugares pra onde eu soh iria se me pagassem muito bem pra isso, e Cuba é um deles. Eu quero mais é muita Roma, muita Europa, muita Australia e Nova Zelandia, muito conforto, ar condicionado, agua geladinha, transportes que funcionam, paises com historias interessantes, museus lindos, arquitetura deslumbrante, gente mais ou menos bonitinha (nao necessariamente tudo isso junto. Lembremos que o paraiso nao existe – e, cah pra nos, se existisse seria MUITO chato). E, muito importante, nada, NADA de Espanhol. Nada que me remeta a coisas tipo Maria do Bairro. Nada de esses pronunciados com a linguinha de fora.
Na boa, eu jah venho dizendo isso hah séculos mas fiquei quieta quando o Mirco me comunicou que tava indo pra Cuba: se eu quisesse morrer de calor e ver gente pobre e feia rebolando ao som de musica chata e comendo feijao, ficava dando voltas nos suburbios do Rio em pleno Carnaval. Vou sair do conforto do meu lar pra fazer “escrotour”, como diz o meu pai? Eu, hein.
Tem vezes que a sua grama é mais verde do que a do vizinho, sim senhora. Deixa esses italianos dez dias sem pao pra ver se eles nao voltam concordando comigo.